
Há muito que desejávamos abordar (numa perspectiva pedagógica e não apenas securitária) a problemática do nosso sistema de segurança nacional.
E hoje, temos, de uma forma responsável e construtiva, o ensejo de cumprir com este dever patriótico em nome de Angola e dos angolanos.
Falar de segurança nacional não é um exercício de fácil empreitada, não só por haverem questões muito sensíveis e tidas como sigilosas, mas também pela linha ténue que separa a fronteira do que é consumível e do que não é.
Segurança nacional é, portanto, uma temática susceptível de equívocos. confusão e incompreensões.
À semelhança da problemática da subversão de que falaremos mais tarde (e aqui importa esclarecer que este artigo não é resultado das manifestações ocorridas recentemente no país, concretamente nos dias 28, 29 e 30 de Julho do corrente ano), falar de segurança nacional exige conhecimento e alguma “expertise”.
De uma forma sucinta, podemos dizer que segurança nacional é um pressuposto vital, imprescindível e inalienável de todo e qualquer Estado idóneo e governado por pessoas responsáveis e patriotas.
Por ser um pressuposto vital, a segurança nacional deve estar entre os desideratos mais prementes, permanentes e impreteríveis de todo e qualquer Estado sério.
A sua persecução e consecução é fundamental para a salvaguarda da independência, da soberania nacional, da integridade territorial, da paz e ordem democrática, da ordem e tranquilidade públicas, bem como para o normal funcionamento das instituições e concretização do desiderato da paz social, desenvolvimento do país e bem-estar dos cidadãos.
Sem segurança nacional no verdadeiro sentido do termo, todos nós (não só o país!) perdemos, daí a necessidade de a sua persecução e consecução serem asseguradas por todas as forças vivas da nação, ou seja, por todos os cidadãos independentemente da sua ideologia ou filiação político-partidária.
Em um mundo cada vez mais competitivo… de amizades circunstanciais e interesses muitas das vezes colidentes (interesses económicos, geopolíticos, estratégicos, etc), garantir a segurança nacional é um desígnio tão vital quanto estratégico.
Sem um sistema de segurança nacional integrado, competente, articulado, síncrono, funcional, fiável e respaldado por políticas, medidas e acções securitárias patrióticas, argutas, acutilantes e proactivas, nenhum país será capaz de garantir a preservação da sua independência, soberania nacional, integridade territorial, unidade nacional, paz, ordem democrática e constitucional e, principalmente, a protecção cabal da vida humana e segurança das populações e seus haveres.
Ou seja, por mais poderoso que seja do ponto de vista económico, militar ou geoestratégico, nenhum Estado será capaz de garantir a segurança do seu povo e de seus interesses estratégicos, sem um sistema de segurança nacional funcional.
Continua no próximo artigo…