
Não se pode falar de segurança nacional no verdadeiro sentido do termo se uma grande parte da população do país não sabe o que ela significa, e muito menos percebe a importância da sua persecução e consecução.
Não se pode falar de segurança nacional quando as forças de defesa, ordem, segurança e sistema de justiça enfermam dos meus vícios que deviam prevenir e combater.
Nenhum país pode assegurar a sua defesa e segurança nacional com um elevado número de cidadãos que ingressaram nas suas fileiras por razões meramente económicas e/ou a troco de favores, inclusive promíscuos.
Um exército ou força policial dominado por vícios e práticas obscuras, como o da corrupção e troca de favores promíscuos para o ingresso de pessoal nas suas fileiras não pode, na hora da verdade, revelar-se capaz para as missões e tarefas que lhe estão constitucional e estatutariamente acometidas.
Não se pode falar em segurança nacional se continuarmos a encher as nossas cadeias com filhos de pessoas humildes, enquanto indivíduos que causaram verdadeiros prejuízos à pátria se encontram em liberdade, e a se vangloriarem das suas façanhas contra o Estado e povo angolano.
Não se pode falar em segurança nacional permitindo a produção, entrada e comercialização no país de fármacos alimentos, bebidas e outros bens de origem e fabricação duvidosas.
Não se pode falar em segurança nacional sem olharmos com olhos de ver para a problemática dos cortes (sem justificação plausível) e injustiça nas pensões auferidas por aqueles que se sacrificaram por este país;
Não se pode falar em segurança nacional fazendo vista grossa às arbitrariedades e injustiças contra humildes e pobres camponeses;
Não se pode falar em segurança nacional sem resolvermos cabal e definitivamente a problemática dos ex-militares e antigos funcionários do extinto Ministério da Segurança do Estado (MINSE).
Fazer justiça a esta franja populacional é, também, uma premissa fundamental da segurança nacional.
Não se pode falar em segurança nacional sem nos comprometermos com o combate ao racismo e descriminação implícita ou subtil.
Não se pode falar em segurança nacional permitindo que os autóctones (ou mesmo cidadãos estrangeiros pobres e desamparados aqui a viverem) sejam humilhados, escravizados e/ou abusados por empresários estrangeiros. Não devemos permitir o restabelecimento da ideologia esclavagista, ou o estabelecimento do neocolonialismo em Angola!…
O país precisa urgentemente de um novo sistema de segurança nacional. Não de um sistema de segurança nacional meramente formal ou cosmético, mas de um sistema de segurança nacional funcional, fiável e profícuo, capaz de assegurar uma cabal e eficiente protecção dos nossos interesses estratégicos e povo.
Um sistema de segurança funcional, fiável e profícuo é aquele que de forma constante, acutilante, proactiva e irrepreensível é capaz de assegurar não apenas a preservação da independência, da soberania nacional e da ordem democrática e constitucional legalmente instituída, mas, também, assegurar todos os outros aspectos essenciais intrínsecos à segurança nacional, como a segurança pública, alimentar, médico-medicamentosa, entre outras.
Um país onde o estrangeiro prevaricador se arroga ao direito de dizer ao agente da ordem que o autuou para ter cuidado porque ele dependia da Casa Militar (eventos como este ocorreram, no passado, no nosso país), ou de ameaçar um polícia em pleno gozo das suas funções como agente de autoridade, não é seguramente um país com um sistema de segurança nacional funcional!…